American sniper

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americansniperAlertado pela proximidade da estreia do novo filme de Clint Eastwood, fui procurar a obra original em que o mesmo se baseia. Chris Kyle, membro do corpo SEAL, oficialmente reconhecido como o atirador especial com maior número de mortes confirmadas em combate, produz (a três mãos já que há colaboração de mais autores) uma obra auto-biográfica sobre parte generosa das suas comissões de serviço no Iraque e Afeganistão (sobretudo no primeiro). Acção vívida, relatos circunstanciados da preparação de operações de vigilância a movimentações de tropas face a ataques de insurgentes, aqui e ali pontuados pelas difíceis interpretações dos regulamentos de ROE (Rules of engagement – algo que o poder legislativo inventou para diferenciar um assassínio a sangue frio de uma morte justificada) mas sobretudo a vivência de uma dualidade de alguém que ama verdadeiramente aquilo que faz profissionalmente (sim, matar pode ser uma profissão) mas que aos poucos vai percebendo que se afasta da família e dos filhos com os inevitáveis custos de uma opção definitiva por uma das faces do que mais quer. Alguns apontamentos de humor, algumas explicações sobre o contornar de regras, a verdade nua de um aspecto da guerra que foge ao estereótipo dos massacres colectivos. Um balanço de ganhos de reputação e perdas pessoais em comissões de serviço onde ganhou estatuto de herói, não apenas entre os seus pares e chefias, estatuto que junto do inimigo se traduziu em prémios pela sua cabeça. A solidão de um soldado face à sua mira e às dificeis decisões de quem escolheu matar como actividade profissional. Rápida leitura. 439 páginas, Harper Collins. Bang, you’re dead.

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