Fábrica de berlindes

0

É um projecto antIMG_5870igo, o do “Elevador de berlindes” ao qual por razões meramente folclóricas chamei “Fábrica de berlindes”. Não é dos meus projectos mais felizes porque tem sido infestado de erros de cálculo e produção.

Uma coisa é ter na cabeça uma ideia que se julga ser muito boa, outra é partir para a construção sem planear (não há tempo…) e pagar por isso mesmo. Muito do que se pensa acaba por não resultar  e há que adiar, redesenhar, cortar. Enfim, imaginem… O planeamento e desenho sobretudo se tivesse paciência para um sketch animado, teria poupado muito trabalho e obscenidades. O ponto de partida foi uma generosa sobra de uma tábua de chão flutuante (não parece, eu sei…) que há dias encontrei num resto de obra de carpintaria – uma curta nota para gabar a qualidade desta madeira, legítima, a madeira e a espessura – nunca tinha visto tábuas de flutuante desta grossura e dá-me ideia que esta é um perfeito exagero em todos os aspectos, preço incluído.

IMG_5871O conceito deste pequeno brinquedo é o de um conjunto de pistons cujo movimento vertical é impulsionado por uma árvore de cames. Cames são peças em circunferência (ou ovais) que giram sobre um eixo numa posição excêntrica (fora do respectivo centro, não que tenham ganho o Euromilhões).

O came, no seu movimento “irregular” (uma vez que não gira sobre o centro) vai criar um movimento vertical à medida que for sendo rodado. Neste caso, o eixo gira pela acção de uma manivela colocada numa das extremidades do mesmo. Ao rodar, os pistons (os blocos de madeira) são impulsionados para cima durante o movimento hiperbólico do came) e descem por gravidade quando o came retorna à posição original.

IMG_5872A posição dos cames, nos antípodas uns dos outros em relação à respectiva posição no eixo vai criar impulso vertical desencontrado. Quando um dos pistons está no topo, os seus vizinhos estão na posição mais baixa possível. É mais complicado de explicar do que visualizar… Não estamos a falar de peças muito complexas, aliás essa é uma das imposições a que obrigo estes pequenos brinquedos. Que sejam o mais simples possível até porque não disponho de ferramenta muito sofisticada no que à carpintaria diz respeito. Assim temos: Duas paredes para apoiar o eixo e os cames e seis “bolachas” (cinco para os cames, a sexta para o rotor da manivela).

 

 

IMG_5894

 

A montagem base é quase autoexplicativa. O espaço em “vazio” no lado direito da foto de cima destina-se a uma rampa inclinada que acumulará os berlindes que iniciam a subida e terá como função recolher os mesmos quando estiverem de volta ao ponto inicial. A ideia é a de obter um movimento rotativo “sem fim” em que os berlindes “sobem” a escada, são ejectados pelo último piston para uma rampa que os devolve ao ponto de partida. Isto em teoria é muito bonito mas as dificuldades inerentes também não são poucas…

Ver o protótipo em movimento (não tem ainda a manivela, apenas o eixo) dará uma ideia mais precisa do objectivo do movimento, Nesta fase os volumes não estão ainda detalhados porque é necessário perceber primeiro onde estão as eventuais prisões de movimento e só quando isso estiver dominado é que se pode começar a pensar em acabamento e em dotar a “fábrica” dos detalhes finais. Sendo este um projecto de gravidade e inércia é absolutamente necessário que tudo seja o mais suave possível do ponto de vista mecânico.

Conseguido isso procedeu-se ao escavar da cabeça dos pistons para que o berlinde entre na bolsa e já não consiga retornar ao “andar” de baixo, é mais simples dizer do que fazer porque essa bolsa precisa não apenas de ser efectuada mas sim feita em declive para que quando os pistons trocam de posição o berlinde passe por gravidade para o piston seguinte. O movimento é repetitivo até à chegada ao último piston que tem um corte em rampa por forma a expulsar o berlinde para o exterior dos degraus (deveria, em abono da verdade, ser uma meia cana, mas não me é possível neste momento fazê-la). Irá retornar ao ponto de partida através de uma rampa que o conduzirá para que não haja “perdas” no processo. (No modelo final verificaram-se algumas, corrigi as que pude, outras ficam para memória futura da complexidade do projecto).

Como a “fábrica” precisa de estabilidade, ainda vai ser necessário executar uma base de apoio sólida, de garantir que as peças estão defendidas “contra crianças” e de um pequeno depósito para os berlindes do sistema. A seu tempo darei notícias. (A base foi feita – sem o depósito – e o primeiro test drive mostrou como a manivela era frágil demais para ser manipulada por uma criança Acredito ter resolvido o problema da fragilidade, mas só o tempo dirá se tenho razão-

Share.

Leave A Reply

Social Media Integration Powered by Acurax Wordpress Theme Designers