Antares, modelismo naval sem rede (Ongoing project)

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PM-airplane cutawayNão sei exactamente quando é que foi a primeira vez que li uma Popular Mechanics. “Ler” é uma expressão arriscada porque aquelas a que tive inicialmente acesso eram em inglês, língua que então não dominava, mas isso nunca me afastou o fascínio que sobre mim exerciam.

Na verdade foi nas páginas desta publicação que vi explicações simples para matérias (para mim) complexas. Motores de explosão, por exemplo. Eu teria sete, oito anos talvez e aquelas páginas eram uma autêntica mina de inspiração. Hoje nem tanto, mas continuo a lê-la avidamente.

A revista mudou, todos mudámos, e não é exactamente a mesma experiência. Os barcos sempre estiveram presentes na Popular Mechanics, mas por qualquer razão (da qual a inexistência de ferramentas decentes talvez tenha sido o melhor dos motivos) nunca me dediquei ao assunto.

Estranhamente, ou nem por isso, nunca fiz um modelo fosse ele naval ou de uma aeronave. Mas há uns meses passei num local de Lisboa onde havia um razoável número de Popular Mechanics antigas à venda. Trouxe uma, mais pela saudade do que pelo tempo para a desfrutar. Ficou lá por casa numa pilha de leitura atrasada, muito provavelmente a aguardar uns momentos de isolamento sanitário…

Acabou por suceder mas achei sempre que era uma loucura fazer um modelo destes, sem planos (nota para esclarecer que os “planos” de revistas de 1930 não são exactamente muito técnicos) e apenas munido de uma enorme dose de boa vontade. Depois de dar uma olhadela mais detalhada ao artigo achei por bem não me aventurar na tarefa porque me parecia demasiado complexa a construção sem recurso a planos detalhados, sobretudo de corte.

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Mas chega sempre o dia em que a tentação de iniciar uma construção mais complicada surge e numa tarde chuvosa em que arrumava uns restos de madeiras ocorreu-me que aqueles pedaços de MDF condenados à fogueira podiam dar origem a uma experiência na bancada. Como é bem visível nas imagens, o MDF não era suficiente e muito do cavername acabou por ser cortado de outros produtos (restos, sempre restos). Era uma experiência quase visual. Os cortes das cavernas, da quilha e da bordadura não obedeceu a nada (rigorosamente nada) dos detalhes do planejamento pelo que acabou por redundar num exercício lógico de memória/execução sendo que os resultados iam sendo apreciados e modificados sempre que fosse essencial ou recomendado fazê-lo. São óbvios alguns erros básicos como a (não) simetria das cavernas, a quilha aldrabada ou a estrutura da pôpa pouco estável. Este modelo esteve quase permanentemente em risco de destruição por insatisfação com o andamento do trabalho mas aos poucos, depois de muitas alterações e decolagens, acabou por me ir conquistando.

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Esta construção é lenta. Lentidão causada pela minha indecisão quanto a planeamento e porque não invisto grande tempo no projecto. Digamos que em média o Antares ocupa uma hora por semana, aqui e ali espaçada pela escassez de madeiras, todas elas provenientes de sobras de outras coisas (Decks oriundos de gavetas de mesa de cabeceira que há anos aguardava ser despedaçada e usada como combustível…). Ferramentas banais, excepção feita a uma Minicraft (uma serra tico tico miniatura) e cola, muita cola de madeira perfazem as necessidades essenciais do construtor naval em part-time.

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Este projecto levará meses a terminar. Não tenho dúvida nem pressa. Tem desafios tremendos mesmo para um corpo de pouco menos de quarenta centímetros. Aprender a curvar madeira (a vapor) é uma tarefa demorada e por vezes até perigosa mas o resultado, mesmo para um amador, é entusiasmante até pelas linhas que se vão formando e que lhe escondem a essência.

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Vá regressando. Sobretudo em épocas mais chuvosas. Irei dando conta do progresso da construção.

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